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20 de novembro de 2015

Escrever muda a vida ou cria o curso de uma vida?

Desde 2013 ando às voltas com uma proposta de romance, a tese de doutorado, que, justamente por ser além de um trabalho criativo uma elaboração teórica, tem um problema de pesquisa ~ o deslocamento ~ como centro, nó a desatar. A linguagem da academia eu já aprendi e sei que consigo me comunicar nela com alguma fluência até. A outra linguagem, a criativa, o texto narrativo, é o que me assusta e me empurra para a frente. Não porque haja dificuldade em planejar uma história, traçar um cronograma e dar conta do combinado comigo mesma. Essa parte é mole, principalmente com a Capes chutando a minha bunda mês a mês, exigindo cumprimento de tarefas para renovar a bolsa parcial que me garante a permanência no PPG Letras da PUCRS até 2016 terminar.

Difícil é lidar com o que será da minha vida depois disso. Encaro a escrita com um respeito enorme e ainda mais o assunto que defini como mote da história, que na minha cabeça já existe e respira. Sei que o mundo ficcional que em breve devo registrar no papel vai interferir fundo na minha vidinha de tododia, não vai ter retorno e não há como ser diferente. Talvez esteja aí a maturidade - da escrita, da artista e da mulher - que me falta e que vai chegar com a travessia. Desconfio que meus bloqueios criativos, a agonia da linha seguinte quando me paro diante da história já começada, sejam resultado do medo de ir adiante e perder. E ganhar. E virar outra. Pela lógica, só vejo vantagens em avançar, mas meu coração tem unhas longas que estão cravadas na pele do meu existir conhecido e rotineiro. Meu coração odeia viajar. Meu coração tem medo de se ver sozinho, batendo em um ritmo todo seu. Meu coração não sabe voar e sente que pode morrer se aprender. 


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