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12 de novembro de 2015

Bloqueio criativo: como faz com isso, dels?



Choro ali no cantinho, até receber uma iluminação divina e o clique para uma história nova e emocionante? É uma possibilidade. Confesso que já lancei mão da estratégia de chorar no cantinho, mas foi só isso mesmo que consegui: perdi horas lamentando o brancume da tela, a agonia de não sentir vontade de criar nada (nem de conversar com ninguém, nem de fazer absolutamente nada. Sim, o bloqueio criativo não vem sozinho atravancar a vida, é resultado de gangorra emocional, é sintoma de processo de destruição para que uma renovação se estabeleça e ocupe todos os espaços.), e meu texto não cresceu uma linha a mais. 

Comigo é assim. Por marés. Avanço, recuo, avanço. Vezenquando vou que vou, de repente mergulho, me afundo, me arraso, acabo comigo, depois volto melhor, mais calma e criativa. Se eu conseguir viver até os 100, com boa saúde, sem morrer ou perder a noção numa fase dessas de buraco, é provável que seja uma senhorinha da paz, bem equilibrada, com incenso aceso entre os dedos. Mas o bloqueio é triste. E cada vez que me dá, descubro alternativas para atravessá-lo. É normalmente um momento de balanço e de revisão interna, em que todo meu investimento profissional é posto à prova, seja no jornalismo, na docência ou na literatura. Nestas épocas não presto para nada e quase bato na porta da Renner para pedir emprego. Depois passa e volto a reconhecer acertos no meio de tudo o que já produzi e recupero a vontade de seguir criando e me expressando pela escrita. 

Se pudesse, escolheria a constância da produção, mas isso não existe para mim. Estou sempre nas extremidades das vivências, experimentando muito e refazendo sentires, perdendo os pedaços. Quando volto às boas comigo, faço carinho no meu ombro e me digo que está tudo bem, que não faz mal se desacreditar um pouco se isso for renovar a autoconfiança.

Coisas que funcionam para destravar ou que ajudam a colorir:





1) Faxinas e arrumações: colocar a mesa de trabalho em ordem, arrumar o armário, reorganizar os livros na estante, apontar os lápis e separar todos os apetrechos em desuso para doação. A energia se mexe, a afeição pelos ambientes e objetos ao redor meio que volta. Quando percebo que a sensação de sufocamento vem vindo, passo a mão na vassoura e limpo. Olhar para as coisas acomodadas e cuidadas é bom. Sempre é.



2) Música para ter foco: aprendi com pessoas amigas que essa música ajuda a acalmar a mente e o coração. Faz efeito ótimo em mim. Já tive gravada em cd e em mp3 no celular, hoje, nas emergências, cato no youtube e dou play. Antes fecho a porta do quarto e me paro a postos com as mãos no teclado e a página em branco do word na frente.





3) Prazo: um prazo acabando me devolve aos trilhos, seja por medo de perder ou por raiva de mim por ter me demorado tanto em brancuras e bloqueios. Não garanto o resultado, mas que faz recomeçar, faz.




4) Dora e Nino: os filhotes são vida. Já saquei que ficar junto deles me traz um bem estar que eu nunca mais quero perder. Se a bad foi muito intensa, a gente senta os três (às vezes os quatro, incluindo o Bruno) no sofá e vê um episódio de Orange is the new black. Não cura, mas garante quase uma hora de imersão em outra coisa que não seja falta, me leva a outro tipo de preenchimento, que indiretamente alimenta a porção vazia da iniciativa e da pulsão de criar e/ou empreender. 


A lista não tem fim, não. Petit gateau, caminhada, colo de mãe e de pai, dormir. Esperar. Fato é que passa. Bloqueio criativo não dura pra sempre, faz estrago, mas passa. Agora mesmo, ó, tô aqui esperando. Esperando...

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