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25 de outubro de 2015

"Não sou obrigada"



Desde o vídeo * iluminador * da menina que repetia isso, não sou obrigada, que colei com ela e repito o mantra mentalmente cada vez que me sinto pressionada por alguém ou situação [o que significa que pelo menos uma vez ao dia cantarolo o Não sou obrigada]. Desde lá desejo uma camiseta com esta reflexão em neon e caixa alta: NÃO SOU OBRIGADA. Semana passada, vi na Renner uma camiseta branca com a tal frase em letra preta, R$39,99. Fiquei pasma. Aliás, ando pasma com esse mundo, com as pessoas na timeline do Facebook, com o convívio ao vivo, ando como notebook velhinho querendo rodar o Corel, aos trancos.

É amor o que falta? Interpretação de texto? Silêncio? É empatia, sororidade, cumplicidade, salário? Paciência? Eu não sei dizer o que falta, mas o que me sobra: cansaço. Já acordo arrastando enchente, chuva atrás de chuva, sol devagarinho, argumento arranhado e desistente, choro. Não basta ser gente e cuidar de gente: é preciso se segmentar, apoiar fragmentos e militar para sempre. Chega uma hora que a gente nem lembra mais que ponto de vista é que tá defendendo, o esporte é debater. Sei que não deveria, mas gostaria de passar voando pelos muros sem ter nunca mais que me justificar por querer um lado, outro, o topo do muro ou lugar nenhum. Eu queria era sumir.

Nem bem dá tempo de elaborar de onde vem e por que motivo a opressão e lá está: qualquer grito estampado, copiado, memezado, milhones de vezes compartilhado e esvaziado de sentido. Não é sintonia, é sarro. É muito dedo apontado em caras, muita filosofia em 140 caracteres. Que tanta satisfação se tem que dar? Que tanto mocotó se lê em sopa?


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