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29 de maio de 2015

E a tese? Vai indo...

De 2013 até aqui foi tudo meio atropelado, aula do doutorado em Porto Alegre com trabalho 1 e 2 com sono com cansaço com desespero com vontade de desistir. Então consegui a licença de estudos em um dos empregos, de agosto a fevereiro passados, mas a licença de estudos do outro emprego, em que o direito era de fato garantido e assegurado, levou um ano e nove eternos meses para ser minha, no dia 16 de dezembro do ano passado. Teve briga, teve choro, teve desesperança e um efeito devastador que me assombra ainda hoje, passados mais de cinco meses. A cabeça da gente é mesmo um troço incompreensível.

Eu deveria estar saltitante e focada nos estudos, e quase consigo, mas pelo menos uma vez por semana alguma coisa em mim se bagunça e sinto uns pavores ilógicos, sem causa. Por conta disso tenho aprendido a respirar melhor, a estar menos disponível na web, a evitar marcar compromissos, a priorizar o silêncio e a me dar pequenos presentes de vez em quando. Tipo este:



Este aqui:


Este outro:


E especialmente este:


Para entrar no curso passei por uma seleção com submissão de projeto de pesquisa, prova e entrevista. Fiquei entre os seis classificados da segunda turma do doutorado em escrita criativa da PUCRS. Eu queria fazer o curso quando ele era apenas mestrado, mas não deu. Quando soube que haveria a possibilidade do doutorado, me atirei. Estudei como pude no tempo que tinha e me empenhei para criar um projeto que me desse, de verdade, vontade de realizar. Propus um romance baseado no problema do deslocamento na literatura. Deu certo. Mas conforme o tempo foi passando, óbvio que minhas vontades foram mudando e o esquema que eu tinha feito para transformar o nó teórico em romance e em ensaio reflexivo meio que se desmanchou. Eu precisava dar conta de chegar nas aulas e fazer os trabalhos e relatórios no prazo, mal consegui tocar no projeto nos dois primeiros anos. Ano passado consegui começar. E só agora, finalmente, estou com as duas mãos enfiadas na proposta. De quarta a sexta. De sábado a domingo eu tento dar jeito nas coisas de casa e entre segunda e terça me ocupo com o trabalho 1, para o qual retornei no início de 2015.

Algumas experiências aleatórias nesses meus dias turbulentos acabaram funcionando como lanternas acesas, como peças de encaixe, e quando me dei conta já havia uma história correndo por fora, em paralelo àquela que eu havia idealizado antes, pedindo rua. A vivência de novembro de 2013 com o projeto Depois de Cecília deu o start. Depois, teve o papo com as gurias do grupo Nascer Sorrindo que foram exibir o filme O Renascimento do Parto lá no Caic, para o pessoal da EJA. E o bombardeio de ativismo pelo parto humanizado na timeline do Facebook e a minha atenção se virando para tudo isso, de repente. De repente, não. Eu tinha uma atenção dispersa para esse tema da maternidade e do feminino. E agora, por ouvir e ler e ter acesso a informação, me sinto um pouco responsável e pertencente. Não tenho filhos, não tenho o desejo de tê-los, mas tenho um respeito profundo pelas mulheres do mundo e a possibilidade que o corpo feminino representa de gestar vida. Eis minha armadilha e minha curiosidade, minha pesquisa.

A pergunta que me ronda é: tenho uma tese no colo? Repasso todo o material que já consegui produzir e acho que sim, que tenho. Mas sinto que estou um pouco longe da porta, que ainda não entrei, que não tenho um texto nascido. Observo que faz alguns meses minha escrita vem se contaminando do léxico dos processos gestacionais, estou mais ligada às notícias e aos afetos que se enroscam com o tema da maternidade, e fissurei na novela das seis [porque sou noveleira, mesmo, mas principalmente porque várias das questões de pesquisa estão lá]. A qualificação está na minha cola e o andamento do trabalho mais ou menos em dia. Quando posso sentar para estudar e escrever sou feliz como raramente consigo, me convenço que me encontro deste jeito, assim, comigo e com minhas chances de criar. Dou conta, se meu corpo não me sabotar, se meu pensamento deixar de galope e andar devagar. Ansiedade não se aquieta apenas com escrita, é preciso mais. Mas sinto que calar agonias pode botar um punhado de boas ideias para dormir. Preciso achar caminhos para ficar em paz apesar do coração acelerado, do suor frio repentino, do medo de morrer, do pavor ao inominado, que isso tudo empurra a história para fora, ajuda o Céu riscado na pele a ver luz. 

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