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segunda-feira, 2 de março de 2015

Notas sobre a [des]organização dos dias

Cada março é o mesmo suplício de bússola quebrada. Não sei para onde ir, por onde começar, para que direção começar a ir. Entro no mês cheia de desejos frustrados pela urgência da rotina. Quero isso, mas só posso aquilo. Preciso fazer inteiro, mas só posso metade, meia parte, meia-boca, meu jeito atravessado pra sempre. A sensação antiga de jamais estar exatamente onde deveria. Eu quase: quase chego, quase acerto, quase pertenço. É pensar em um alvo de lançar dardos e lá estou, dois ou três dedos para a borda, distante do centro, um ponto na faixa amarela, um meio vazio.

Quando chego em casa, deveria estudar como se não houvesse novembro, mas minha cabeça não desmergulha do universo da escola - onde também não encaixo mais - e não me permite entrar nos mundos em que preciso para dar conta de criar e justificar a invenção, menos ainda no mundinho real da casa, do viver família, do ser nós em um pequeno coletivo. Lembro de quando o professor disse que mulheres escritoras vingam menos porque raramente conseguem conciliar o fazer criativo com o papel social e cultural feminino/doméstico/maternal/limpador de casa [e em boa medida indigesto, grifo meu] e tendo a concordar. Falta tempo para fazer o tudo bem feito e acabo não fazendo nada direito. Não sei onde se meteu meu traquejo com agendas. Já fui ninja em executar mil projetos ao mesmo tempo de forma satisfatória. Hoje só [me]olho e penso que bela bosta. Taí.

2 comentários:

  1. Me identifico e adorei. Boa sorte nos teus agendamentos externos e internos... Tu és genial, menina! Ainda que, por vezes (segundo tu mesma, não é julgamento meu), sejas, te sintas/estejas/pareças (des)organizada! ;)

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