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26 de março de 2015

Diário de valise - 17/07/2013

Como é que faz para fundar um país? Vou na Caixa Econômica Federal saber se existe financiamento para comprar uma ilha. Depois, abro um evento no Facebook e convido todo mundo. Não defini ainda como credenciar os habitantes da minha república particular. O passaporte para lá poderia ser concurso de conhecimentos gerais, para dar início aos três poderes, às áreas da saúde, da educação, da infraestrutura e da segurança, as básicas e tão críticas em qualquer país desse planeta. Cultura, esporte, e todo o resto essencial acho que faria por consulta popular, em uma série de fóruns, com prazos justos e cumpridos à risca, com poder de propor as estratégias e de fiscalizar a execução das ações. Ah, e imprensa livre. Nada de grandes corporações de comunicação no meu país. Internet livre e tempo para as pessoas conversarem e desenvolverem os próprios sistemas de circulação de informação.

Eu não seria presidenta, não. Não haveria necessidade. Nos organizaríamos em coletivos e o consumo de alimentos, de bens culturais e etc seria na base das trocas sociais: serviço por serviço, serviço por objeto, objeto por objeto. Abraço por abraço. :P Tá. É uma viagem, mas quem não pensa em utopia de vez em quando se atira do nono andar ou corta os pulsos, porque o “brazil” passou de todos os limites. Não adianta ir embora para Pasárgada, nem ser amigo do rei, nem ser o próprio rei. É terrível andar assim, arrastando desesperança pela rua, mas as alternativas estão cada vez mais escassas. Tô por aqui com essa de que o gigante acordou. Nem me incomoda tanto a vinda do papa paga pelo contribuinte. Meu nojo mesmo é da classe política. Vi na tevê ontem que um senador custa por mês aos cofres públicos R$140 mil reais. Por mês! Otária. Me sinto absolutamente otária.

Se a pessoa fica nessa vibe de compreender o mundo, se ferra. Porque não tá fácil gerir nem o microcosmo da gente, a vida ordinária, como é que se faz efeito lá nas pontas? As vezes eu queria ter um tanque de guerra, um trator, para entrar a toda velocidade na câmara de vereadores em dia de plenária. Que me chamassem de vândala depois, o recado estaria bem dado. O problema é que a minha civilidade não permite que ideias revolucionárias extrapolem o limite da minha cabeça, talvez o da minha boca, sim. E sempre pago alto por dizer o que eu sinto. Ando a fim de fazer economia de opinião e de desabafo. Para isso esse diário ajuda. Alivia. A Lisi, mesmo: minha amigona, tá sempre comigo na boa e na ruim, mas até ela me faz de besta de vez em quando. Passada toda aquela palhaçada na lancheria, a bandida resolveu me apelidar. Aproveitou a confusão da atendente, que cismou me chamar de Vanise, para carinhosamente me batizar de valise. “É uma mala pequena, Moni. Perfeito para ti, que é a minha malinha sem alça preferida, o radar para defeito, confusão e azar. Valise. É vintage, combina contigo. Hahaha”. Acho que nunca vou ser um espírito de luz enquanto não aprender a relevar a burrice, a grosseria, a falta de noção, enfim, a chateação humana. Status: desejando um retiro espiritual no Sri Lanka.



Ainda tem que aturar esse tipo de coisa dazamiga. Afemaria!

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