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19 de março de 2015

Diário de valise - 16/07/2013

As gurias me chamaram ontem para lanchar depois do trabalho no Beto’s, que recém se instalou aqui na cidade, e eu achei tri, porque ia matar a minha curiosidade. Adoro quando abre um lugar novo, principalmente se a especialidade é comida. Daí que eu queria fazer o pedido. Sentamos, esperamos e ninguém veio à mesa perguntar de que queríamos ser servidas. Dã! Reparamos depois de uns dez minutos, bem acomodadas, que havia uma fila para o atendimento. Perdeu ponto comigo aí. Fila em lancheria? Como se já não bastasse no banco, na farmácia, no supermercado, ali também. Pedi um supercombo: Big Beto’s sem queijo, sem maionese, sem mostarda e sem cebola, mas alface em dobro; refri zero açúcar e fritas bem sequinhas, por favor.

Percebi que a atendente fez um bico enquanto registrava meu pedido. Quis que fosse só impressão, para não ter que tirar mais um ponto do estabelecimento no meu ranking particular. Em seguida ela perguntou meu nome e eu disse. Virei pra Lisi na fila e comentei discretamente: vai me botar na boca do sapo, hehehe. Uns vinte minutos depois veio o inacreditável: a criatura berrava lá do balcão: Vanise! Vanise! Achei o fim da picada, uma grosseria de última, chamarem a atenção dos clientes assim, mas, né, torci para a tal Vanise pegar logo seu rango e acabar com aquela agonia. #vergonhaalheia. E nada. Nada da Vanise aparecer. A atendente mudou a estratégia, passou a pronunciar assim, alto e silabado, o pedido abandonado: Bi-gue-be-to’s-sem-quei-jo-sem-mai-o-ne-se-sem-mos-tar-da-sem-ce-bo-la-do-bro-de-al-faaaaaa-ce.

O sanduba tava bom, apesar dos pesares.
Juro que eu quis me teletransportar para a Jamaica naquele instante, quando me dei conta de que o carnaval era para mim, que Vanise era para ser eu, e que além de a sujeita berrar meu nome errado o povo inteiro e faminto do lugar iria imediatamente olhar e julgar a desatenta da Vanise assim que eu levantasse da cadeira. Não deu outra. Fui até o balcão com o queixo no peito, os cabelos caindo nos olhos, praticamente disfarçada, mas isso não me blindava das reclamações. “Atrasando a entrega, pateta!”, “Tá surda, Vanise”, gentilezas assim. Respirei fundo, contei até dezoito e falei uns seis palavrões cabeludos. Para dentro. Minhas coisas esperavam por mim na bandeja, os dedos da atendente encostando na borda da alface. Até que enfim, Vanise, ouvi. Catei tudo inconformada, comi e sumi. De lá não quero mais nem água.       

Um comentário:

  1. Nada mais me surpreende (de maneira negativa) nessa cidade. Eu tento defender Rio Grande, eu quero, poxa, sou daqui! Mas é um trabalho de Sísifo. Acho que nem a terra quer tragar esta ponta do RS, com medo de uma indigestão.

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