Páginas

sábado, 21 de setembro de 2013

Muitas histórias importam

E a gente precisa de tão pouco para ser feliz. Tão pouco. Não sei aí do outro lado, mas do lado de cá um punhado de gente querida, uma boa comilança e histórias bastam para o meu contentamento. Histórias, sim. Se olhar bem vai se ver que tudo nessa vida se não foi contado antes mais cedo ou mais tarde será, e se ouvir bem vai se reparar que as pessoas são feitas justamente disso, de histórias, do narrado, do dito, do sentido bem aqui, ó, dentro, com palavra, com imagem, com cheiro, com melodia, com afeto.



Esse sábado de hoje me pegou desprevenida com O Tempo e o Vento, o filme, no cinema. Logo na primeira cena me deixei chorar (e assim fui até o final, que molenga!). Tudo bem que a Fernandona narrando o épico, o Lacerda de Capitão Rodrigo, e etc, etc, deram conta de expressar a força e a beleza da obra do Érico (bem íntima, assim). Mas não foi só isso. Foi mais. Foi o clique. É que a memória é um troço impressionante e em dois tempos fui jogada lá para os 14, 15, na época da escola, quando o trabalho e as contas para pagar não pertenciam ao meu mundo e eu podia fugir das aulas de educação física para os livros da biblioteca e a vida demorava a passar.

Foi um tempo em que li a trilogia inteira de cabo a rabo sem nem saber quem diabos era Érico Verissimo e o que significava, de fato, Literatura, para além da disciplina difícil de passar do primeiro ano do magistério. A minha vontade da escrita e o meu vício por ficção vieram de lá e foram se instalando, de mansinho, e me fizeram escolher rumos. Não sei se chego a algum lugar com isso, com o desejo de contar, mas só de ter vindo até aqui carregando essas urgências de papel impresso é revelador, para e sobre mim, do poder que boas histórias têm. Histórias poderiam ser só histórias, mas não: são vida. E importam. Muitas histórias importam. O legado literário do Érico Verissimo é indiscutível, ainda bem. Ainda bem, também, que o tempo passa e há sempre espaço para que as pessoas se contem e contem umas às outras sobre as coisas dos seus mundos.




Nenhum comentário:

Postar um comentário