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18 de março de 2013

Entressafra

A vida é boa. Muito boa. Não reclamo do que ela me dá ou me tira, mas as vezes resmungo e muito pelo tanto de enrolação que o sistema - e as pessoas que fazem a roda girar ou trancar - me proporciona. Ó, prazer sem medida esse de constatar que na prática os discursos institucionais (institucionalizados) simplesmente não funcionam, não são cumpridos conforme constam escritos no papel, nos documentos oficiais, nas leis que os regulam. As vezes me convenço de que eu não sei ler, não sei mesmo compreender as regras.

Tenho ouvido que devo ter paciência, que é questão de tempo para as coisas se organizarem nas organizações, para as abóboras se acomodarem nas carroças, ou então que, não, não devo mais ter paciência e que já passou da hora de apelar para as últimas instâncias (juízes e o papa, que graças a deus já temos novamente. Um alívio.). Fato é que o tempo é danado e passa, passa, passa sem esquentar banco, sem pena. Estou partida em mais três, quase quatro. O que eu queria abandonar sem olhar para trás não me deixa ir, o que eu queria grudar feito perereca em parede úmida me deixa livre, o que eu tenho amor começando não está bem pronto e se não me pagará o café não pode ser escolhido ainda, e o que era sonho lá longe me abriu dois braços bem longos e disse vem, mas só se fosse inteira para ser verdade, para ser como deve ser. Mas a vida vai de 24 em 24 horas e é insuficiente para se repartir em quatro mais dois, guardando pedaços para a família e para a casa. Esperar é o jeito.

E a espera, essa que angustia, é sobrenome da entressafra. Enquanto nada se define, nenhuma linha criativa verte desse teclado. Não há razão para lamentar. Essa pausa é o mesmo que faxina. É como colocar as cadeiras empilhadas sobre as mesas para facilitar a varredura do chão do bar, para preparar a festa de logo mais. Aguardem. A festa já vem. Já vem!

Por enquanto, vou vivendo esse mundo do jeito que dá. :)


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