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domingo, 20 de janeiro de 2013

O útero é para sempre

Alguém tosse no corredor do prédio. Estico o pescoço em direção a porta, como se a orelha fosse descolar da cabeça e chegar perto da voz que passou nas escadas. Virei o corpo quase todo na cadeira e quase andei até a sala  para encontrá-la, mas desisti. Não seria quem eu pensei. Era uma tossida estranha, afinal, que a falta me fez confundir com um ruído tão familiar. Já faz mais de um ano. Estou habituada e em boa parte do tempo posso garantir que me sinto em paz e feliz, mas não me acostumei. Acho que nunca vou me acostumar. Quando impressões assim acontecem lembro daquela frase que li dia desses e que faz um sentido absurdo: o útero é para sempre.

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