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10 de agosto de 2012

Ser caiqueiro é para sempre

Hoje não tem conto, não. Tem declaração de amor:


Em junho fez sete anos que eu trabalho no Caic/Furg, como professora da Escola Municipal Cidade do Rio Grande. Desde o início atuei em turmas de alfabetização. Cheguei lá nos últimos suspiros do ciclo, depois peguei algum tempo da série e quando saí da sala de aula estava no meio a troca de série por ano em razão da inclusão do novo ensino de 9 anos. Tenho me dedicado a pensar e propor um projeto na área da comunicação para o Centro, focado na criação de canais de diálogo com a comunidade.

A ideia é dar visibilidade às ações educacionais realizadas no Caic, uma vez que as três áreas atendidas pelo Centro - Educação, Saúde e Integração Comunitária - conduzem seus serviços através de processos educacionais, em que todos aprendem e ensinam. É um trabalho lento, de tentativas frustradas e alguns acertos, que tem o apoio e a aposta da gestão, dos professores, dos colegas que cuidam do refeitório, da vigilância, dos projetos... Aos poucos o grupo inteiro vai compreendendo as possibilidades de contribuição do trabalho da comunicação para a educação e dando corpo, forma e alma a uma proposta que surgiu em mim semente, como perspectiva, e dia após dia vai ganhando identidade.

Tenho uma equipe pequena, atenta e cuidadosa formada por dois meninos, além de mim: um, aluno da escola, o outro, ex-aluno. Já conseguimos começar o informativo semanal que circula por e-mail, recomeçar a rádio com um projeto novo, manter um blog com atualização quase diária das atividades desenvolvidas no Caic, e nosso próximo passo é montar o time de redação para elaborar o jornal impresso, cuja maior pretensão é chegar às famílias. Sem medo de errar, de improvisar, de inventar, pois lá a gente pode arriscar e sabe que o espaço é próprio para dar voz à expressão, para o exercício da criatividade, para mostrar talentos.

Estar lá todas as tardes experimentando sentimentos tão discutidos na ordem do discurso e pouco conhecidos na prática, como pertencimento e compromisso institucional, ter a chance e o privilégio de conhecer tantas pessoas com histórias tão diversas da minha, que me ensinam tanto, faz com que eu deseje permanecer. Ainda que eu um dia precise sair do Caic para dar conta de outros planos que eu tenho para mim e que a vida me apresente, jamais vou deixar o Caic para trás. O Caic não me deixará, assim no más. A gente que eu sou agora deve demais aquele lugar. É lá que uma significativa parte boa de mim se constitui e é onde nasceu a minha docência. Minha gratidão não cabe no papel, nem no blog, nem em nenhuma tentativa de representação. Existe e é o que conta. O Caic sabe. Os caiqueiros me conhecem. Ser caiqueiro é para sempre.

Meu trabalho hoje é insistir no registro da nossa aposta sincera e obstinada na educação básica e criar lugares a partir dos quais a comunidade do Caic consiga se enxergar e através dos quais possa dizer a sua palavra. Os meninos e eu conseguimos mostrar um pouquinho bem pouquinho de tudo o que se vive lá. Quer ter uma noção? Acompanha o Acontece no Caic!

Abraço, gente.

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