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10 de junho de 2012

Órion, meu Órion

Eu conheço a sensação de peito aberto
e não me afasto um metro
do que me acena com pistas de libertação.
Eu voo e volto, mergulho e salto, desmancho e ergo sem sair dos meus pés.
Não é invenção, mas é raro. Ando no ar, no mar e no barro, com uma destreza atrapalhada, que se explica por si.
Leio Órion, Órion, Órion, esse substantivo muito próprio,
que se desenha em azul cintilante
grafitado diante dos meus olhos-poros, e me pergunto “E então?”
Há alguém em mim que berra, lá do outro lado, com uma voz que quase não me alcança, “é um dos caminhos para casa, é redenção, é luz”.
Mas… como se ouve luz? Como compreender luz? O que dizer ao amigo sem olhos? O que fazer com os lagartos?
Essa vida não é mesmo estranha? É, sim.
24 de novembro de 2010.

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