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24 de junho de 2012

De onde?

Era uma mulher antiga, vestindo flores e um par de sapatos de verniz carmim com salto largo. Dos pés brotavam as raízes do ritmo, tactac-tac-tac-tac, num movimento longo esparramado no tempo, enquanto as mãos ágeis alinhavavam no ar a teia da vida inteira de amanhã até ontem no quadro do sempre haver. Violões dedilhados, precisos e vários, na roda da festa riscada no esquecimento. Arrastado feito lamento dolorido, do fundo da garganta cravava no vento:
Vuelve la mujer perdida,
la mujer aislada, la mujer morisca
Vuelve la mujer que tiene el rojo en la piel
y el olor del clavel en pelo largo
Tiene la suerte encerrada
en el viento y en el agua
Es la gitana más guapa
encendida en la arena
Y el fuego le salva
solamente el fuego le salva

E assim foi. É. Segue sendo.

8 de maio de 2008.

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