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12 de maio de 2012

Que o desejem pela capa!



Depois de quase um ano em processo de edição, o livro chegou anteontem, quinta-feira, 10. Quando vi o embrulho no meio da sala da casa dos meus pais fiquei paralisada. Andei na volta da caixa por um tempo sem coragem de abrir. Aliás, fazer um livro, para mim, tem sido um exercício de coragem todo dia. Foi preciso deixar sair a coragem para enviar os originais, coragem para pensar nos elementos de orelha e de abertura do texto, coragem para mostrar o projeto ao artista que criou a capa, coragem para pedir informações sobre o andamento da edição, coragem para contar às pessoas que o livro já existe, coragem de expor algo muito meu, coragem para assumir o que mais desejei desde que me entendo por gente: a escrita.

Estive apreensiva até agora com medo do resultado da edição. E se a impressão fosse vagabunda? E se as páginas tivessem algum erro de numeração, de posição, de ortografia, sei lá?! Confesso que até agora só olhei a capa e as primeiras páginas. Enjoei dos contos logo que liberei o arquivo para a editora. Não olhei mais o projeto para não brigar com o que já estava decido, para não achar defeito. As pessoas dizem que escrever um livro é como ter um filho. Duvido. Eu olho para ele com um misto de orgulho, de acanhamento e de certeza de que já o superei em textos que vieram depois. Mas é registro. O primeiro registro literário válido que consegui realizar. Os blogs valem, mas são passageiros, são endereços de onde eu me mudo quando canso da pintura das paredes. A tiragem é pequena, mas o impresso de alguma forma permanece, faz história, não se deleta. Está feito.

Hoje escolhi um exemplar para presentear o Alisson Affonso, o cara que elaborou essa capa pra lá de bonita, meu ilustrador (meu ilustrador!). Fiz a primeira dedicatória e dei o primeiro autógrafo. Espero que o Alisson goste (e as meninas dele também). Não podem imaginar o quanto me estranho vestindo essa roupa de escritora. Sempre quis ser essa pessoa que escreve profissionalmente, por arte e para a vida, mas no fundo há uma voz que ameça, que diz que é muito para mim. Espero que um dia se cale.

Por enquanto, o pacote com os outros livros está aqui no quarto, quieto, esperando que eu decida e organize o que fazer com cada exemplar. Vou fazer uma lista de amigos. Segundo o facebook, vai ser fácil encontrar noventa e poucos amigos que queiram o De solas e Asas. O livro é digno, podem apostar.Se não tiver qualidade literária suficiente para voar por si, certamente pegará emprestadas as asas dessa capa escandalosa de linda, como disse ao Alisson. Que as pessoas desejem o livro pela capa. E que a leitura seja uma surpresa interessante. E que a gente siga exercitando a coragem de produzir arte em Rio Grande. Dedico aos amigos e aos estranhos que nos lêem.

Um comentário:

  1. A roupa de escritora tem a tua medida Déia, a medida dos teus sonhos. Orgulho de ti, sempre!

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