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25 de abril de 2012

Sol, então


como botão sem casa
como vento sem vidraça
como unha sem esmalte
como pó de giz na cara
como bolacha mofada
como arroz cru
como lápis sem ponta
como muda de flor
só como a fome
que me consome
e some comigo
com som
me


solidão não alimenta
não importa o que dizem
os artistas iniciantes
ou o que disseram os caquéticos
escritores, pintores, professores, amores, e outros ores
solidão cansa, dá espirros,
desconfigura a pele e as entranhas

prefiro a barriga cheia
de companhia
e um laço repleto de braço
em abraço apertado
ao vazio frio
que os criativos tomam
por libertação

costas, evasivas, não
como pão, engole e espera
com balas de goma na mão
quando só-lhe-dão.
Sol então
Por que não?

Poema lido no Recital Poético Poemas Pela Paz, em Fredericton, Canadá, no dia 26 de setembro de 2009.

3 comentários:

  1. Respostas
    1. Meu, sim, Marina. Que booom te ver por aqui! Saudade das tuas postagens... :D

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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